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Doença de Greening ameaça futuro da citricultura brasileira

Produtores e pesquisadores batalham, mas ainda temem efeitos da praga

  • Sebastião Garcia/Cordeirópolis (SP)
  • reportagem@cabalrural.com.br
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Um dos principais segmentos agrícolas do Brasil, e um dos mais tradicionais também, está em plena mutação. A citricultura, que detém 40% da produção mundial de laranja e movimenta mais de R$ 9 bilhões por ano, enfrenta uma das piores crises da sua história. A previsão é de um novo cenário para o setor nos próximos anos, em conseqüência de fatores como preços baixos, concentração e domínio das indústrias e, principalmente, problemas sanitários, como a doença de greening.

A situação do pomar de Renato Carlini, no município de Artur Nogueira, em São Paulo, dá bem a idéia do que está acontecendo com a citricultura em todo o Estado. Espaços maiores entre as plantas são conseqüência do greening, a doença que ataca as folhas da laranjeira, e que pode acabar com pomar inteiro em pouco tempo. Carlini diz que toda vez que entra na lavoura, encontra uma planta doente, e tem que arrancar.

Há um ano, ele ele tirou dois pés de laranja da área. Hoje, já são 15 a menos.
 
– Causa uma depressão na gente, porque a gente que só sabe fazer isto, ter que mudar a cultura, entendeu? Infelizmente, a situação é muito grave e a minha situação é a de todos os citricultores. E essa doença não escolhe o produtor pequeno. Ela tá no pequeno e no grande também – lamenta Renato Carlini.

O produtor é presidente da Associação de Citricultores de Artur Nogueira. O município fica numa das regiões tradicionais da produção paulista, próximo a Limeira. A área com citros na região chega a cinco mil hectares, divididos em quase 600 propriedades rurais, por enquanto.
 
– Nesse andar da carruagem, em cinco anos pode acabar a citricultura aqui. A não ser que surjam plantas transgênicas ou resistentes a esta bactéria – afirma Carlini.

O greening é a causa da perda de sono dos produtores paulistas e de especialistas também. A doença  surgiu no Brasil em 2004, e os primeiros casos foram detectados na região de Araraquara (SP). A praga é causada por uma bactéria, transmitida por um inseto pequenino, mas que faz um estrago e tanto.

A bactéria ataca os vasos das folhas, que ficam amareladas. Os frutos, ou não se desenvolvem ou ficam deformados, sem valor comercial.

O trabalho da pesquisa, que contribui para o desenvolvimento da citricultura nas últimas décadas, está enfrentando agora um dos seus maiores desafios: encontrar uma forma de combater o inseto transmissor ou desenvolver variedades de citros resistentes à bactéria. A atenção hoje em São Paulo está voltada pra o laboratório do Centro de Citricultura, que é ligado a Secretaria de Agricultura do Estado.
 
O desafio enfrentado por pesquisadores, agora na tentativa de controlar o greening, não é o primeiro. Na década de 1940, os pomares paulistas foram atacados por uma doença chamada tristeza, que quase acabou com a citricultura no Estado. Depois, foi a vez de combater a morte súbita no citros, já no final dos anos 90. E, mais recentemente, o greening, que assusta até hoje.     

– Tanto com a tristeza, quanto com a morte súbita, a solução destes dois problemas foi a troca do porta enxerto, que é o cavalo que sustenta a copa numa produção comercial. E no caso do greening, é uma bactéria sistêmica que afeta também o porta enxerto, que tá associado à copa. Então, nós temos que buscar uma variedade resistente de copa. Esse é um processo mais difícil, e de longo prazo, infelizmente – relata o especialista em Biologia Molecular Eduardo Firmino Carlos.

Desde que a doença apareceu nos pomares paulistas, três milhões de plantas já foram eliminadas. Por enquanto, esta é a única saída pra evitar a proliferação da doença. Por isso, se atribui aos produtores a responsabilidade por este trabalho. É lei, inclusive. A cada seis meses, os produtores têm que apresentar à Secretaria de Agricultura um relatório sobre a situação nos pomares.  Mas isso, pelo jeito, não tem sido suficiente. Tanto é que o governo do Estado de São Paulo resolveu investir R$ 2 milhões numa campanha publicitária pra alertar ainda mais sobre a doença.
  
– Tudo isso está sendo feito buscando com que o citricultor se engaje e entenda que realmente nós temos conhecimento; De que a gente tá preocupado com a questão da rentabilidade, com a questão da remuneração do citricultor. Mas não dá pro citricultor esperar pra daí cuidar do pomar, por que senão, caso contrário, é possível que quando chegue o preço bom ele não tenha mais pomar por conta da doença. Então, achar a solução pra esta questão é que é o desafio deste momento – declara o Secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio.

O desafio é o foco do Projeto de Combate ao Greening, um programa da Secretaria de Agricultura do Estado, criado especificamente pra tratar do caso desta doença. A agrônoma Geysa Ruiz coordena o projeto, e diz que o trabalho é feito em parceria com instituições como o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), que também faz pesquisas sobre a sanidade dos pomares.

Quase 600 pessoas em São Paulo estão envolvidas diretamente com o projeto, fazendo fiscalização e análise nas propriedades. Os relatórios mais recentes mostram que houve aumento dos casos de greening no Estado. Do último semestre do ano passado para o primeiro semestre deste ano, mais 2,6 mil pomares foram contaminados.

Nos próximos anos, pelos cálculos de Geysa, outras três milhões de plantas terão que ser eliminadas em São Paulo, o que representará 3% do chamado Parque Citrícola do Estado. O que não significa, garante a agrônoma, que a situação esteja fora de controle:

– Ainda dá tempo. Em algumas regiões do Estado, com infestação maior, teve um pouco da citricultura comprometida. Mas a médio e longo prazo, ela vai se tronar viável novamente.

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