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Grupo chinês pretende investir em ferrovia ligando Mato Grosso e Pará

Além da conclusão da pavimentação da BR -163, alternativa de transporte ferroviário favorece produtores da região

  • Luiz Patroni
Atualizada às 20h41
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Investidores chineses querem investir na construção de uma ferrovia que ligue os Estados de Mato Grosso e do Pará. Profissionais do grupo asiático já percorreram todo o trajeto entre Cuiabá (MT) e Santarém (PA) para conhecer as potencialidades da região. Além da conclusão da pavimentação da BR-163, que irá beneficiar o setor produtivo desses Estados, a ferrovia também deixa os produtores otimistas com a possibilidade de mais uma alternativa de escoamento de seus produtos.

Mesmo diante de uma logística ainda desfavorável, a região médio-norte de Mato Grosso se destaca por ser responsável por mais da metade dos grãos produzidos no Estado. O volume pode aumentar ainda mais quando a BR-163 se tornar o esperado corredor de escoamento agrícola que irá levar a produção até Santarém (PA).

Quem planta em Sorriso (MT), por exemplo, vai economizar aproximadamente mil quilômetros com a mudança do destino, de Paranguá (PR) para o porto paraense. Redução pode promover investimentos no campo e avanço na produção.

– O que eles (chineses) querem é efetivamente a construção, fazer com que o escoamento da produção de grãos saia daqui e possa levar produtos, não só para a região Norte, mas para o Sudeste e o Sul do país. O Brasil terá um corredor alternativo muito competitivo no cenário internacional – explicou o secretário extraordinário de logística intermodal do Mato Grosso, Francisco Vuolo.

Representantes da estatal chinesa participaram da comitiva que conferiu o ritmo das obras de pavimentação da BR-163. Durante três dias percorreram os 1746 quilômetros que separam Cuiabá de Santarém. Analisaram mapas e apresentaram aos produtores as impressões que tiveram desta parte do Brasil.

O engenheiro da Chine Railway Engineering Corporation, Cair Xudong, ficou impressionado com as fazendas de algodão e de soja no caminho de Cuiabá até Sorriso. O grupo representa um consórcio responsável pela construção e manutenção de 140 mil quilômetros de ferrovias na China. No Brasil, a implantação da estrada de ferro seria feita através de uma parceria público-privada. Os chineses querem assumir a concessão da Ferronorte. Se for aprovado, o investimento pode chegar a US$ 10 bilhões.

– Se formos empregar a tecnologia chinesa de construção de uma ferrovia no Brasil, ela tem capacidade de entrar em operação em 18 meses. Agora, trazendo isso para o Brasil, com as nossas regras, a gente tem que fazer um estudo de engenharia mais detalhado – comentou o diretor da Asian Tranding Investiment, Anselmo Leal.

Os produtores e especialistas em logística também ficaram animados com a perspectiva de investimento chinês. Para o presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Elso Pozzobon, o sistema ferroviário é um meio de transporte mais barato e mais viável porque transporta uma grande quantidade de uma única vez. Segundo o coordenador de serviços de infraestrutura e logística do Ministério da Agricultura, Carlos Alberto Nunes Batista, o Brasil deve buscar um transporte mais econômico que o rodoviário.

– A implantação do modal ferroviário é interessante e a hidrovia vai baratear também mais isso – apontou o coordenador. 

A previsão é que durante o mês de setembro os chineses realizem estudos de campo no trecho em que a ferrovia poderá ser construída e comecem a elaborar os projetos de implantação da obra. A China é o principal destino da soja produzida em Mato Grosso que é direcionada ao mercado internacional. A construção da ferrovia também poderá facilitar o intercâmbio comercial com o país asiático.

O Canal Rural produziu uma série de reportagens sobre a rodovia BR-163 mostrando a história, o ritmo das obras e a importância da pavimentação da estrada que corta o Cerrado e a Amazônia. Acompanhe esta jornada, reveja as matérias que já foram ao ar!

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