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30/11/2011 | 09h27

Empresa de celulose retoma projeto no Rio Grande do Sul

Investimento na ampliação poderá chegar a US$ 2,5 bilhões e unidade deverá gerar 2,5 mil empregos

  • Marta Sfredo
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Quase três anos depois da suspensão do aumento da capacidade de produção de celulose na cidade de Guaíba (RS), começa a tomar forma a retomada que pode alcançar investimento de US$ 2,5 bilhões e gerar 2,5 mil empregos no Rio Grande do Sul. Depois da apresentação da nova unidade de 1,3 milhão de toneladas para potenciais fornecedores, nesta terça, dia 29, participantes saíram com a certeza de que a expansão da Celulose Riograndense vai sair do papel.

O presidente da empresa, Walter Lídio Nunes afirma que a decisão está “sendo elaborada”, porque terá de passar pelo crivo final do acionista no início de 2012.

– Já estamos preparando a área da unidade atual, com obras viárias, o que prova que há intenção séria no projeto. Os ventos apontam nessa direção – disse o presidente da empresa.

Pela descrição do executivo, a revisão do projeto original, apresentado pela Aracruz em 2008, já passou das etapas iniciais, quando se concluiu que valia a pena ir em frente. Um dos sinais da retomada é o grau de planejamento da obra. No detalhamento, está previsto o início da produção para agosto de 2014, o que significa que a nova unidade teria de ser construída em 24 meses.

Para alcançar esse objetivo, Nunes já está planejando a contratação de mão de obra, já que o número de operários no canteiro de obras chegará a 7,5 mil no pico da movimentação. Nesta terça ele se reuniu com empresários locais.

– Queremos evitar os inconvenientes que grandes projetos têm com a importação de trabalhadores. Com mão de obra local, não precisaremos de alojamentos. Prefiro colocar ônibus percorrendo 70 quilômetros, trazendo gente de áreas como a região carbonífera – afirmou Nunes.

A empresa pertence ao grupo chileno CMPC, que no Brasil controla a Melhoramentos Papéis, do segmento de toalhas e guardanapos. O destino dos dois milhões de toneladas de celulose produzidos no Estado, explica o presidente da Riograndense, é a exportação.

Como a venda ao Exterior não gera Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal instrumento para concessão de incentivos estaduais, a expansão não receberá benefícios fiscais diretos. Estão em negociação com a Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento benfeitorias como asfaltamento de um trecho de estrada que encurtaria em nove quilômetros o percurso para chegada de madeira à unidade. O escoamento da produção será por barcaças, do Rio Guaíba à Lagoa dos Patos e depois até o Porto de Rio Grande.

Oportunidade para indústrias do Estado

Além dos benefícios para a cidade de Guaíba, a expansão da Celulose Riograndense promete espalhar efeitos pelo Rio Grande do Sul. O vice-presidente da Abimaq-RS, Hernane Cauduro saiu convicto do encontro desta terça.

– Pode haver mudanças em detalhes, mas já dispararam o cronograma, a expansão está assegurada – afirmou Cauduro.

Entusiasmado com um dos maiores investimentos no Estado, único comparável à ampliação da General Motors, de US$ 2 bilhões, Cauduro exemplifica o potencial de movimentação da indústria gaúcha com o caso de uma empresa de Bento Gonçalves que faz tanques para a indústria de bebidas. A Riograndense precisa de equipamentos feitos com aço inoxidável, porque o processo de fabricação de celulose envolve produtos corrosivos. A indústria da Serra avalia que poderá produzir os equipamentos, diversificando sua linha atual.

– A empresa está disposta a explorar ao máximo as oportunidades aos fornecedores locais. A próxima etapa será uma visita aos candidatos a fornecedor, que entrarão numa lista entregue à responsável pela construção. Na hora de negociar a compra, o cliente final vai interceder em seu favor – aposta Cauduro.

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