Depois de dobrar a área plantada de milho, Luiz Carlos Schuster não imaginava que a esperança viraria desespero em Não-Me-Toque, no norte do Rio Grande do Sul. A falta de chuva gera apreensão diante de prejuízos ainda incalculáveis, porém tende a valorizar o preço do grão.
Na lavoura de Schuster, o solo seco sugou só dois milímetros de água nas últimas três semanas. Sem irrigação, os 20 hectares são reféns da chuva que não chega. Apesar de ter escalonado o plantio, o agricultor teme que a safra atual seja inviabilizada.
Levantamento da Emater aponta que os danos da estiagem à produção são críticos, principalmente para os 43% de área plantada que se encontra em floração ou em enchimento de grãos. Apesar disso, só em janeiro será possível mensurar as perdas.
– O certo é que a safra não será tão boa quanto à passada – afirma Dulphe Pinheiro Machado Neto, gerente técnico da Emater.
Na região de Passo Fundo, até quinta passada, havia chovido apenas 11,6% dos 161 milímetros da média histórica para dezembro.
– A quebra pode chegar a 40% na região – projeta Cláudio Dóro, engenheiro agrônomo da Emater.
A situação também preocupa no Noroeste e no Vale do Taquari. A Federação da Agricultura do Estado (Farsul) estima que pelo menos 10% dos 1,1 milhão de hectares plantados já tenham sido prejudicados.
No entanto, para o consultor Farias Toigo, as perdas podem ser amenizadas pelo mercado, pois a redução da produção projetada tende a valorizar o grão. Porém, tudo dependerá do tamanho da quebra, uma vez que a estiagem no Estado contrasta com boas chuvas em outras regiões do país.
ZERO HORA

Portal traz dados dos maiores mercados do agro no Brasil

Siga o @RuralBR e receba as dicas e atualizações em primeira mão, diretamente no seu twitter

O noticiário do portal RuralBR também está disponível no formato RSS. Confira todos os canais disponíveis