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Conselho de Agronegócio da Fiesp quer mais apoio do governo federal ao setor de açúcar e etanol

Integrantes do segmento apontam que créditos disponibilizados pelo BNDES não são suficientes para incentivar a competitividade

  • Raphael Salomão
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Daniel Marenco
Foto: Daniel Marenco / Agencia RBS
Setor de açúcar e etanol pede mais apoio do governo em benefício da competitividade

O Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) pedirá ao governo federal mais apoio ao setor de açúcar e etanol, conforme o presidente da instituição, João Sampaio. A decisão foi tomada nesta segunda, dia 6, durante reunião do Cosag. Segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), a produção de cana precisa dobrar até 2020, chegando a 1,2 bilhão de toneladas. Para isso, seriam necessários cerca de R$ 150 bilhões. De acordo com o presidente da entidade, Marcos Jank, a maior parte dos investimentos deve partir do setor privado, mas ele cobra medidas do governo, como redução de impostos para o etanol.

– Nós precisamos de condições de competitividade. É a equação econômica do etanol que não está funcionando hoje, porque houve uma manutenção do preço da gasolina por muitos anos. Isso achata o valor de venda do etanol no posto e, ao mesmo tempo, a gente teve aumento de custo – diz.

Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou uma oferta de R$ 4 bilhões em crédito para ampliação e renovação dos canaviais, recursos que chegariam por meio dos bancos privados. O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Caio Carvalho, avalia que o valor pode ser insuficiente, caso não haja incentivo à competitividade.

– O fundamento básico é dar capacidade competitiva. Dar crédito para expandir sem gerar competitividade na ponta, não tem o grande estímulo que é preciso. Ter uma regulação que limita o acesso ao financiamento é outro problema que é preciso resolver para não ficar, obviamente, concentrado o uso do recurso – aponta.

Sampaio informa que a instituição reforçará os pedidos de mais apoio ao setor. Um documento deve ser enviado à presidente Dilma Rousseff até a próxima semana.

– Não é só a usina. Tampouco só o produtor. É uma cadeia enorme, fortíssima para o Brasil, fabricantes de máquinas, tratores, adubo, defensivo. Tudo isso está envolvido e, de certa forma, muito aquém do que poderia estar – afirma.

A citricultura também esteve na pauta da reunião do Cosag. O presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Christian Lohabauer, confirmou que foi pedido ao Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitros), a retirada do carbendazim da lista de defensivos usados na produção. A indústria aguarda o posicionamento das autoridades americanas sobre a liberação de cargas do suco de laranja brasileiro, barradas por causa do fungicida.

– O histórico da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) é de cumprimento absoluto da regra, da letra da lei. Então, o que a gente precisa nesse caso é uma ação do EPA, a agência ambiental, mudando uma regra, como se fosse a mudança de uma instrução normativa aqui no Ministério da Agricultura. Não é uma coisa simples de ser feita do ponto de vista burocrático – avalia.

Lohabauer informou ainda que 11 cargas estão retidas nos Estados Unidos e que a indústria não está mandando novas remessas para o país.

– O suco brasileiro tem condição. Não sei dizer qual empresa decidiu para onde, mas como é um produto em ordem, enfim. O problema é o custo logístico e quem compra o suco que não veio daqui, mas já foi para lá. Tem outra negociação. O ajuste tem que ser feito e deve ser em cinco ou seis meses. Dá para fazer o ajuste logístico, embora tenha custo, mas é o que vai dar para fazer – diz.

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