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Indústria de suco de laranja perderia até US$ 178 milhões com rejeição de cargas

Cargas que ultrapassaram os limites de carbendazim permitidos pelos Estados Unidos foram vetadas

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Marielise Ferreira
Foto: Marielise Ferreira / Agencia RBS
Prejuízo ao ano pode atingir até US$ 178 milhões


As companhias brasileiras e norte-americanas de suco de laranja podem perder até US$ 178 milhões por ano com a rejeição de cargas da bebida por limites de carbendazim acima do permitido pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês). Os números são de fontes da indústria e de um estudo do professor especializado em comércio internacional Thomas Prusa, da Rutgers University. O total leva em conta o pior cenário possível para o impasse, ou seja, que a FDA mantenha o veto às cargas com carbendazim acima do limite 10 partes por bilhão.

A estimativa é que a indústria norte-americana, que precisa do suco de laranja brasileiro para misturar ao que é produzido no mercado doméstico, perderia entre US$ 46 milhões e US$ 118 milhões e a brasileira, até US$ 60 milhões (cálculo com base no que o setor perderia caso não consiga escoar o suco para outros mercados).

Além das perdas do setor produtivo, o governo norte-americano também deixaria de arrecadar US$ 50 milhões em tarifas, de acordo com o estudo do professor Thomas Prusa, feito sob encomenda da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR). Dados do estudo foram revelados esta semana pelo presidente da CitrusBR, Christian Lohbauer, em entrevista ao site do jornal "The Ledger", de Lakeland, Flórida. Procurados pela Agência Estado, Lohbauer não comentou os dados, mas Prusa confirmou as informações.

O estudo aponta ainda que haveria entre 300 e 500 demissões na indústria processadora de suco norte-americana, portos e outros segmentos diretamente relacionados à importação de suco do Brasil. Em 18 meses, cerca de mil postos de trabalho seriam fechados. Já os preços do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) subiriam até 60% nos Estados Unidos, já que o Brasil é único fornecedor de grandes volumes da bebida para o mercado local. Os preços do suco não concentrado e não congelado (NFC) aumentariam até 30% em um prazo de seis meses. À Agência Estado, Prusa ponderou que esses números referem-se ao pior cenário, caso as importações sejam barradas.

O estudo foi entregue por Lohbauer à FDA na última semana como uma tentativa de sensibilizar o órgão americano e convencê-lo da necessidade de ampliar os limites de carbendazim no suco importado. A FDA deveria divulgar uma posição nessa quinta, dia 2, sobre o pleito, o que não ocorreu.  A FDA teria solicitado um detalhamento dos impactos econômicos para o país antes de dar uma posição final sobre o assunto.

Agência Estado
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