
Em meio às críticas ao documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, o governo brasileiro mantém um discurso alinhado de reconhecimento dos avanços nas negociações. O estabelecimento da meta de erradicação da pobreza como uma prioridade dos 193 países da Organização das Nações Unidas (ONU) é apontado como uma das maiores conquistas do evento.
De acordo com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, a convergência de posições em torno de temas polêmicos indica o resultado positivo das negociações.
— O documento trata de pontos muito relevantes. Em uma conferência como esta, o consenso é muito importante. É melhor do que ficarmos sem um documento final, mesmo não sendo o texto dos sonhos — disse.
Os compromissos para erradicação da pobreza e da fome, para o combate à discriminação racial e o debate sobre novos modelos de produção e consumo são pontos celebrados pelo Brasil. Mas o que o governo brasileiro destaca com veemência é a reafirmação dos compromissos assumidos pelos países na Conferência das Nações Unidas para Meio Ambiente e Desenvolvimento, Rio92.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, garantiu que “não haverá retrocesso” em metas acordadas há duas décadas. Mercadante ainda acrescentou que os negociadores brasileiros e estrangeiros e os líderes que vão avaliar o texto precisam considerar a redefinição de indicadores de desenvolvimento.
Ao defender a inclusão de métricas ambientais e sociais, o ministro explicou que o índice usado atualmente, o Produto Interno Bruto (PIB), não reflete o crescimento real das economias.
— O PIB revela a riqueza produzida, mas não trata da distribuição dessa riqueza ou dos impactos ambientais que o desenvolvimento produz — disse.
Mercadante ainda destacou o espaço que a sociedade civil teve na conferência e lembrou que as delegações e representantes do setor privado dos países se comprometeram com a criação e implementação dos Objetivos do Milênio, programa estabelecido pela ONU.
— Pelo documento, as empresas terão que fazer relatórios frequentes dos compromissos com o desenvolvimento sustentável — disse.
AGÊNCIA BRASIL

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