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Monitoramento e uso adequado de inseticidas são fundamentais para combate à helicoverpa

Especialistas apontam medidas para o controle da praga durante Fórum Permanente de Agronegócio, no Rio Grande do Sul

  • Cláudia Flores
Atualizada em 11/12/2013 às 14h06
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Divulgação
Foto: Divulgação / Monsanto
Painelistas compartilharam informações sobre alternativas para o manejo da lagarta

O uso abusivo de inseticidas no combate à lagarta Helicoverpa armigera – praga já identificada em lavouras de soja, milho e algodão de todas as regiões do país – pode contribuir para o desenvolvimento de insetos resistentes a produtos químicos e deve ser evitado. O alerta é do pesquisador da Embrapa Soja de Londrina (PR), Adeney de Freitas Bueno, painelista da 57ª edição do Fórum Permanente de Agronegócio, evento que discutiu estratégias de controle da helicoverpa nesta terça, dia 10, no município de Não-Me-Toque, norte do Rio Grande do Sul.

– Não se deve fazer aplicações preventivas nem utilizar inseticidas abusivamente, isso não é bom para o manejo de maneira geral. A aplicação de produtos sem haver qualquer inseto na área, e sem saber a quantidade de insetos que se tem, isso a gente precisa evitar. Além de gastar desnecessariamente, quanto mais inseticida você usar, mais intensa é a seleção de insetos resistentes.

O evento, transmitido ao vivo pelo Canal Rural, foi aberto pelo superintendente de produção agropecuária da Cotrijal, Gelson Melo de Lima, que destacou a importância do acesso ao conhecimento técnico para auxiliar o produtor na tomada de decisão relacionada ao manejo e controle da praga.

Manejo Integrado de Pragas como estratégia

Adeney Bueno, da Embrapa Soja, ressalta que o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é a melhor estratégia para o combate à helicoverpa, porque preserva os inimigos naturais da lagarta.

– Cerca de 90% das lagartas morrem por causa dos inimigos naturais. Apesar de essa praga ser nova no país, a gente tem inúmeros insetos benéficos que estão atacando a lagarta, e esses insetos devem ser preservados, através do uso do manejo integrado de pragas.

Outra medida fundamental para descobrir se é necessário aplicar inseticida, segundo Bueno, é a prática da amostragem. O uso do pano de batida (de 1m x 1,40m ou 1,50m), de pano ou plástico, é considerado o melhor instrumento para fazer amostragem.

– Às vezes, a gente se preocupa em usar o melhor inseticida. A base do manejo é a amostragem e a tomada de decisão apenas quando necessário. Não dá pra escolher um inseticida sem ter a identificação da praga e não dá pra usar inseticida sem amostragem. Infelizmente, essa prática caiu em desuso. No Paraná, 70% das lavouras não utilizam critérios técnicos para fazer a tomada de decisão.

De acordo com o pesquisador, a Embrapa recomenda que os produtores, além da amostragem, realizem a vistoria da área antes do plantio.

– É importante que se faça a vistoria da área, da vegetação de cobertura, e se avalie a presença de pragas. A helicoverpa tem um grande número de hospedeiros, que podem abrigar a lagarta antes do plantio.

Outra recomendação é fazer a dessecação antecipada, ou seja, eliminar a vegetação de cobertura por pelo menos 15 dias, sem o uso de inseticidas, para evitar que lagartas grandes ataquem plantas pequenas.

Ocorrências no Rio Grande do Sul

O engenheiro agrônomo e professor da Universidade de Passo Fundo (UPF), José Roberto Salvadori, apresentou um panorama das ocorrências de helicoverpa no Rio Grande do Sul.

– Vivemos um momento de muita preocupação e muitas dúvidas. Mas todo problema significa uma oportunidade para a pesquisa. Pesquisadores do Rio Grande do Sul tentaram identificar as espécies, mas nós não temos necessidade de preocupação científica. Seja helicoverpa, seja heliothis, o manejo é o mesmo.

A confirmação da primeira ocorrência de Helicoverpa armigera no Estado foi em 19 de novembro deste ano. No entanto, de acordo com Salvadori, a presença da espécie em lavouras gaúchas foi identificada pela primeira vez em dezembro de 2012 por pesquisadores da Embrapa Trigo, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da UPF.

Com relação ao monitoramento, vem sendo utilizada a técnica da armadilha de ferormônio.

– Já está disponível o ferormônio, uma substância atraente que permite que os insetos se identifiquem pelo odor, que é como as mariposas se identificam para o acasalamento. Utilizamos uma borrachinha impregnada com ferormônio como armadilha para realizar o monitoramento e a quantificação das mariposas.

Eficácia da Intacta não exclui necessidade de monitoramento

O gerente de regulamentação e líder da área de manejo de insetos da Monsanto, Renato Carvalho, explicou a utilização da soja Bt no combate à helicoverpa e alertou para a importância das áreas de refúgio, sem a presença da tecnologia Bt.

– Hoje há baixa implementação de áreas de refúgio. É de fundamental importância o estabelecimento dessas áreas de refúgio, que deve ser estruturado. A distância máxima deve ser de 800 metros. Recomendamos que inseticidas à base de Bt não devem ser aplicados nas áreas de refúgio. É como se você tivesse 100% da lavoura com Bt.

Para o representante da Monsanto, o monitoramento deve ser a palavra chave para o combate à lagarta.

– A grande eficácia da tecnologia não exclui a necessidade de se fazer o monitoramento. Há uma série de outras pragas que a tecnologia vem mostrando eficácia.

Segundo Carvalho, todos os testes realizados no Brasil foram com a Helicoverpa zea, cuja sensibilidade é muito similar à armigera.

Prejuízos da antecipação de aplicação de inseticidas

O gerente de Defesa Vegetal da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio do Rio Grande do Sul, José Candido Motta, enfatizou que a amostragem de pragas deve ser realizada antes de qualquer aplicação preventiva. O diretor da Farsul, Jorge Rodrigues, acrescentou que a entidade está preocupada com o prejuízo que a aplicação antecipada de inseticidas pode causar aos produtores que temem o ataque da helicoverpa.

– Temos formas de controlar essa lagarta. O ponto fundamental é buscarmos assistência técnica, não aquela entusiasmada pela mídia de venda, mas com conhecimento, com profundidade. O controle deve ser imediato, mas não precipitado, com as ferramentas que nós temos – completa.

Até agora, a helicoverpa já foi diagnosticada em 12 Estados brasileiros. Bahia e Mato Grosso do Sul foram os mais prejudicados, mas a lagarta também foi identificada nos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Distrito Federal, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Confira a apresentação do pesquisador da Embrapa, exibida no evento, sobre as estratégias de combate à lagarta:



Veja a apresentação do professor da UPF sobre a presença da lagarta nas lavouras do Estado do Rio Grande do Sul:



Inseticidas não previnem ataque da lagarta helicoverpa, alerta pesquisador



Conhecimento é a principal arma de combate à helicoverpa, diz professor da UPF



Intacta dá proteção contra lagartas recém-nascidas, segundo a Monsanto



Produtores temem aumento no custo de produção das lavouras devido à helicoverpa


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